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Jeannie é um gênio |
trilha sonora

Como acontece com A Feiticeira (Bewitched), Jeannie é um Gênio (I Dream of Jeannie) é um seriado que marcou pelo menos duas gerações. Quem nunca, mas nunca bateu papo sobre seriados e desenhos antigos e não mencionou "Ah...eu adorava Jeannie e Samantha". É um detalhe curioso: todo mundo adorava. É verdade que talvez sejam poucos os seriados exibidos por tantos anos, e que por isso marcaram mais presença, mas também é certo que estes são dois exemplos de séries que conseguiram se manter atuais, apesar da passagem de tempo, e são ainda capazes de conquistar novos fãs, mesmo os da geração que parece achar que sitcom é coisa exclusiva do canal Sony. Além disso, Jeannie é um Gênio é o produto típico da televisão de uma época em que os recursos eram mais simples, mas a imaginação não tinha limites e a ingenuidade era algo ainda permitido.

Tudo em família
Ao contrário do que aconteceu no Brasil, onde Jeannie é um sucesso,
a série nunca esteve entre as preferidas dos americanos, que
gostavam muito mais da bruxinha Samantha. Na realidade, Jeannie
surgiu na esteira do sucesso da Feiticeira e, antes mesmo de
estrear, foi acusada de plágio. Mas não foi simplesmente uma questão
de "roubar idéias". A NBC pensou em criar um seriado que envolvesse
magia e convidou Sidney Sheldon para ser o roterista (isso mesmo, o
escritor que hoje faz sucesso com romances geralmente apimentados e
que, por várias vezes, já teve seus livros entre os maiores
best-sellers do mundo). Sheldon era amigo do produtor Willian Asher
- um dos criadores da Feiticeira e marido de Elisabeth Montgomery, a
Samantha - e o consultou, temendo que ele não gostasse da idéia. No
início Asher não se importou muito e, inclusive, deu sugestões para
o novo seriado que seria exibido numa emissora concorrente ("A
Feiticeira" era da rede ABC).
Sheldon então pôs mãos à obra. Ele mesmo escolheu Bárbara Éden para
interpretar Jeannie. Já Larry Hagman teve que penar um pouco para
conseguir o papel do astronauta e piloto da Força Aérea Americana, o
major Anthony Nelson. Na época, sem muitas chances profissionais, o
ator e sua família estavam passando dificuldades financeiras.
Conseguir o personagem tirou Hagman do maior sufoco e o lançou, meio
que inesperadamente, ao estrelato mundial.
A primeira temporada de Jeannie é um Gênio foi realizada em preto e
branco e justamente logo no primeiro ano, a atriz Barbara Eden ficou
grávida do marido, o publicitário e ator Michael Ansara, deixando os
produtores em polvorosa. Tudo porque o figurino de Barbara, ousado
para época, teve que ser ligeiramente modificado para esconder a
barriguinha da atriz. Afinal, uma gênia hiper-sensual com barriga
não tinha a menor condição. A solução foi Jeannie usar um véu bem
maior cobrindo o corpo e abusar dos closes. A verdade é que só o
fato de Barbara exibir seu umbiguinho já incomodava a censura e a
utilização do véu matou dois coelhos com uma cajadada só. Esses
primeiros episódios foram pouco exibidos aqui no Brasil e não há
muito interesse em reapresentá-los por serem em preto e branco. Uma
pena.
O primeiro episódio, que foi ao ar setembro de 1965, mostrou como o
major Anthony Nelson, durante uma missão frustrada da Nasa, foi
parar em uma ilha do Pacífico. Lá, ele acaba encontrando uma garrafa
enterrada na areia. Ao abri-la, uma fumaça toma a forma de uma bela
garota digna das histórias das mil e uma noites: Jeannie, uma gênia
aprisionada há centenas de anos por um gênio maligno. Sem acreditar
no que estava acontecendo, o astronauta prefere deixar a garrafa por
lá mesmo. Mas a gênia dá um jeitinho de "empurrar" a garrafa para
dentro da bagagem do Major Nelson antes dele ser salvo pela equipe
de resgate e acaba indo com ele para a Praia dos Cocos, onde vive o
major. A cena onde Tony Nelson encontra a garrafa de Jeannie foi
filmada na praia de Zuma, em Malibu, Los Angeles.

Os Personagens
Como acontece em A Feticeira, o Major Nelson se recusa a usufruir
dos poderes de Jeannie. E também não era apaixonado por ela ... pelo
menos, no início, não. Na realidade, se dependesse dele, Jeannie
teria voltado para Bagdá, onde mora sua mãe (também interpreta por
Barbara Eden) logo nos primeiros episódios. Mas, enquanto Samantha
fazia tudo o que o marido James queria (e por isso mesmo o seriado
da bruxinha se adequava mais ao padrão da "perfeita família
americana"), Jeannie não queria nem saber: uma ordem do seu amo era
solenemente ignorada caso contrariasse seus interesses. O Major
Nelson tinha um compromisso com uma garota? Jeannie transformava a
beldade num macaco. O Major Nelson mentia para Jeannie para poder ir
a um encontro? Acabava amarrado numa máquina de tortura da Idade
Média ou era zunido para o topo de uma árvore em plena selva
africana...
As histórias eram invariavelmente em torno da personalidade tinhosa
da gênia que, mesmo quando tentava ajudar o amo, entendia as ordens
todas ao contrário, o que dava margens a histórias pra lá de
hilárias. Um bom exemplo disso aconteceu em um episódio em que
fiscal do Imposto de Renda (Paul Linde, o tio Arthur de Samantha)
vai averiguar os bens do major Nelson. Jeannie acaba ficando
irritada pelo fato do fiscal achar que o astronauta é um pobre
coitado e que vive modestamente, apesar de trabalhar na Nasa. Então,
sem a menor cerimônia, ela faz surgir pinturas de Renoir e
esculturas de Michelângelo na casa de Tony. Isso sem falar num cofre
cheio de dinheiro. Quem precisa ter medo do leão com uma gênia
dessas dentro de casa?
Terá sido Jeannie a culpada pelo surgimento das piadas sobre louras
burras? Tadinha... ela não merece isso!
A única pessoa que sabia da existência de Jeannie era o melhor amigo
de Tony, o major Roger Healey (Bill Daily). Roger era também
astronauta, um cara completamente trapalhão, mas não tão bobo a
ponto de não achar que o major Nelson marcava o maior passo em não
usufruir dos poderes da gênia. Não foram poucas as vezes que o Major
Healey tentou "roubar" Jeannie de Tony, nem que fosse para realizar
seu maior desejo: ficar rodeado por lindas garotas. Na única vez que
ele conseguiu que um pedido seu fosse realizado, Roger ganhou de
Jeannie uma caixa vazia. Na verdade, a caixa era mágica e podia
realizar qualquer desejo. Agradecido, ele sai da casa do Major
Nelson dizendo a seguinte frase: "Obrigado pelo presente, Jeannie! E
você é um cara de sorte, Tony ! Eu gostaria de estar no seu lugar".
Não deu outra... Roger se torna o Major Nelson e vice-versa, dando
início a um dos episódios mais engraçados de toda a série, em que os
dois atores tiveram de representar como se estivessem trocado de
corpo e deram um banho de interpretação.
Quem presenciava toda aquela loucura sem entender nada era o pobre
coitado do Dr. Alfred Bellows (Hayden Rorke). Tudo porque o Dr.
Bellows chegava nas horas mais impróprias, como encontrar um tigre
na sala do major Nelson ou mesmo descobrir que está nevando em plena
praia dos Cocos ...mas somente sobre a casa do astronauta! O Dr.
Bellows sempre tentava descobrir o que havia por trás do major
Nelson, mas nunca conseguiu. Quando ele trazia o sisudo general
Peterson (Barton Peterson) ou o general Shaeffer para testemunhar os
"estranhos acontecimentos", tudo já tinha voltado ao normal e o
doutor era tomado por louco, justamente como acontecia com a Sra.
Kravitz em "A Feiticeira". O Dr. Bellows era casado com Amanda
Bellows , vivida pela atriz Emmaline Henry, uma dondoca que adorava
se intrometer na vida do Major Nelson e vez por outra tentava
arranjar uma namorada para Tony, o que irritava Jeannie
profundamente.
Jeannie passou a ser produzida em cores a partir do segundo ano.
Tentando dar um novo impulso ao seriado e conseguir mais audiência,
os produtores acharam por bem tentar "refazer" o primeiro episódio
em que Jeannie é encontrada numa ilha deserta. O pretexto foi criado
por Jeannie para comemorar o primeiro aniversário dela junto com o
Major Nelson. Para isso, ela desvia a nave espacial do astronauta
para que caia na mesma ilha. Irritado com travessura de Jeannie, que
atrapalhou a missão espacial, ele procura a garrafa para lhe dar uma
grande bronca. Só que, por engano, liberta Blue Gim, um poderoso e
maligno gênio azul responsável por ter aprisionado Jeannie por
centenas de anos. O gênio foi interpretado pelo próprio marido de
Barbara, Michael Ansara.
Apesar de parecerem simples, os efeitos especiais da fumaça da
garrafa de Jeannie davam um trabalhão. E demoraram quase um mês para
ficarem no ponto exato. A própria garrafa da gênia não era um objeto
qualquer. Uma garrafa de bebida de marca famosa foi trabalhada a mão
para ganhar contornos que lembravam a arquitetura de Bagdá. Duas
foram criadas, sendo que uma terceira tinha tamanho natural onde
eram gravadas as cenas que mostravam Jeannie no interior da garrafa.


No terceiro e quarto
anos o major Nelson teve que lidar com a irmã malvada de Jeannie,
que por sinal também se chamava Jeannie. Barbara Eden , numa versão
morena e com um figuro azulado, porém idêntico ao modelo rosa
tradicional, infernizava a vida do astronauta. A Jeannie má sempre
dava um jeito de prender a Jeannie boa na garrafa e ocupava o lugar
dela para conquistar o major Nelson. Nessa brincadeira, quem levava
a pior era o major Healey, que invariavelmente descobria o plano,
mas, quando ia contar ao amigo o que se passava, acabava sendo
mandado para um iceberg no Pólo Norte, onde tinha que dividir espaço
com pinguins, ou era despachado para o meio do deserto, onde ficava
enterrado com areia até o pescoço. Mas não é que ele conseguia
voltar antes do final do episódio?
Outro personagem que tinha poderes mágicos era Din-Din, o cãozinho
de estimação de Jeannie muito mansinho até ver alguém usando um
uniforme ou farda. Aí a coisa mudava de figura. Din Din ficava
invisível e destroçava os uniformes do pessoal. Não é preciso dizer
que o Dr. Bellows era o mais prejudicado e sempre acabava em
frangalhos, não?
"Jeannie é um Gênio" seguiu seu caminho emplacando cinco temporadas,
apesar de não chegar nem perto da audiência de "A Feiticeira" nos
Estados Unidos. Ao todo foram produzidos 139 episódios. Mas enquanto
Samantha estava sempre entre as cinco primeiras colocadas, Jeannie
ficava lá pela 20ª posição.

Bastidores
O clima não era dos melhores nos bastidores de Jeannie é um Gênio e
tudo por causa de A Feiticeira. As produções dos dois seriados por
muitas vezes dividiram cenários da Burbank Studios Ranch, em Burbank,
Los Angeles, junto com A Noviça Voadora. Apesar de serem exibidos em
canais distintos, um único estúdio era responsável pela produção das
duas séries. As atrizes Barbara Eden, sempre muito bem humorada e
Elisabeth Montgomery, a Samantha, quase sempre irritada, chegavam a
usar o mesmo camarim junto com a atriz Sally Field, que interpretava
a noviça que voava. Por várias vezes, a fachada das casas dos
personagens se confundiam e foram utilizados em vários outros
seriados.
O próprio William Asher acabou se revoltando contra Sidney Sheldon,
acusando-o de ter roubado a idéia central de A Feiticeira, apesar de
tudo ter sido feito às claras e com o consentimento do próprio Asher.
Ele inclusive chegou a demitir um dos roteiristas depois que
descobriu que o coitado também colaborava no seriado concorrente.
Aliás, como o estúdio era o mesmo, a equipe técnica também se
desdobrava.
O seriado terminou em 1970. O quinto ano foi marcado pelo casamento
de Jeannie com o major Nelson, o que contrariou o elenco,
principalmente Larry Hagman. Todos achavam que o casamento
descaracterizaria o seriado, o que de fato aconteceu. Roteiristas
reclamaram que estava difícil produzir boas histórias, já que
Jeannie era agora a Sra. Nelson e todos os personagens do seriado a
conheciam, embora não soubessem que ela era uma gênia. O charme do
segredo, o clima de "gato e rato" tinha acabado.
Dois filmes produzidos para a televisão trouxeram Jeannie de volta.
O primeiro é "Jeannie é um Gênio - 15 Anos Depois" (I Dream of
Jeannie - 15 Years Later), realizado em 1985. Nele, Barbara Eden,
embora bem mais velha, está em forma e não titubeia em mostrar mais
uma vez seu charmoso umbiguinho. Mas os fãs sentiram falta de Larry
Hagman, que se recusou a reencarnar o major Nelson. O personagem foi
interpretado por Wayne Rogers, mais conhecido como o John McIntyre,
que fazia dupla de médicos com Alan Alda no seriado "M*A*S*H*".
O outro filme foi "Jeannie Ainda é um Gênio" (I Still Dream of
Jeannie), realizado em 1991. A história também é fraca. Jeannie já
tem um filho que é sequestrado por sua irmã gêmea. Além disso, ela
tem que encontrar um amo "temporário" já que o major Nelson estaria
numa missão secreta há meses. Mais uma vez o ator Larry Hagman não
quis participar desse "revival".

O elenco
Parte do elenco de Jeannie já faleceu.
O ator Hayden Rorke (Dr. Belows) participou de vários filmes e
seriados e morreu de câncer em 1987. Emmalline Henry (a Sra Bellows)
faleceu em 1979.

O ator Banton MacLane (o general Peterson) teve um enfarto e morreu em 1969, quando Jeannie ainda estava no ar e foi substituído por Vinton Haywarth (o general Sheaffer ), que morreu em 1970.

Foto na época e foto recente
Bill Daily, o major Healey, ainda é vivo. Ele está com mais de 70 anos e até recentemente fez aparições em sitcoms americanas, como Alf - O ETeimoso (Alf), em que fazia o psicólogo do alienígena, ou Tudo por um Gato (Caroline in the City).

Fotos na época e foto recente

Larry em 2006
Larry Hagman é lembrado
também por seu papel como o vilão J.R. do seriado "Dallas", que
ficou no ar até 91. Foi por causa do sucesso como J.R. que Hagman
começou a renegar seu passado de comediante, achando que sua
participação em Jeannie tirava sua credibilidade como ator sério...
Imaginem. Hagman teve problemas com bebida e chegou até a fazer um
transplante de fígado. No mês passado, ele apareceu no programa
Larry King, da CNN, ao lado da atriz que vivia Sue Ellen, sua
companheira em Dallas.
Jeannie em desenho
Pouca gente lembra, mas
Jeannie ganhou uma versão em desenho animado entre os anos 73 e 75.
Mas a produção de Hanna-Barbera em quase nada lembrava o seriado.
Jeannie não piscava para fazer mágica, mas seu cabelo é que mexia.
Ela tinha um aprendiz de gênio como companhia, o gorducho Babu. E
para completar, seu amo não era um astronauta, mas um adolescente
chamado Corey, que tinha Henry como seu melhor amigo. A produção
teve bons índices de audiência nos EUA e no Brasil foi exibida pela
Rede Globo.
A dublagem brasileira do seriado Jeannie é um Gênio vale a pena ser
destacada. É um trabalho magnífico que deve ser preservado. A atriz
Liria Marçal, já falecida, conseguiu dublar a atriz Barbara Eden
dando a interpretação na medida certa. Isso sem falar da voz...é
idêntica!! Quem não se lembra do gritinho ("Oh..amooo!!") que era a
marca registrada de Jeannie?

Já o ator global Flavio Galvão merece nota 11. Foi ele quem dublou o major Nelson. Embora não tivesse nada a ver com a voz esgarniçada de Larry Hagman, Galvão deu muito mais humor ao personagem quando o desesperado amo saía gaguejando desesperado o nome de sua gênia: "Je..Je..Jeannieeeeeeeeeeeeeee!" Simplesmente... genial!

Foto na época e foto recente
Hoje, Barbara Eden está com quase 70 anos. Numa recente entrevista ao
programa Entertainment Tonight, ela mostrou que guarda com carinho
uma das garrafas originais utilizadas no seriado Jeannie. A outra
garrafa ficou com o ator Larry Hagman. Eden não se mostrou
amargurada ou triste pelo fato de ter ficado marcada com a
personagem, como acontece com nove entre dez atores de seriados.
Pelo contrário. Apesar de ter feito vários filmes para a TV, ela
disse estar orgulhosa por receber até hoje o carinho dos fãs, que
parecem se multiplicar com o passar do tempo. E não esqueceu de
agradecer o afeto de todos. Quem agradece somo nós, Barbara. Jeannie
já faz parte da lembrança de muita gente...Seja pelas hilárias
peripécias da geniazinha que nos fazia morrer de rir, seja pela
saudade que dá ao ouvir o marcante ritmo da música de abertura do
seriado, composta por Hugo Montenegro.
Considerações: Se ela tivesse mesmo super poderes, ela com certeza
usaria para livrar seu filho das drogas, mas infelizmente o tempo
foi mais rápido e cruel levando seu filho Matthew "vitima" do uso de
drogas.
Fonte:
www.seriesantigas.hpg.ig.com.br